O que aconteceu
Ontem passei por uma das situações mais antiéticas, desrespeitosas e desumanas que já vivi como paciente, durante meu atendimento na Santa Casa de Maringá.
Cheguei ao hospital transferido da UPA, após atendimento pelo SAMU, apresentando um quadro importante de formigamento intenso nos membros inferiores e superiores, que inicialmente se estendia até a região da boca. Além disso, estava com uma dor de cabeça extremamente intensa. Minha queixa não era algo leve: eu estava realmente sentindo muita dor e apresentando sintomas que estavam me causando preocupação, especialmente porque o quadro ocorreu após uma queda.
Durante a queda, também bati a região lombar e estava sentindo dor importante nessa região, além de ter batido a cabeça. A médica, Mayara, solicitou uma tomografia de crânio, porém, em nenhum momento, ao meu ver, houve uma avaliação adequada ou uma conversa comigo sobre as demais queixas, especialmente em relação à intensa dor lombar que eu apresentava.
O que mais me causou indignação foi a ausência de comunicação e acolhimento. A médica praticamente não conversou comigo. Recebi diazepam sem que ela sequer olhasse adequadamente para mim ou realizasse perguntas sobre o que eu estava sentindo. Não me fizeram perguntas, não conversaram comigo e não senti que minhas queixas foram devidamente ouvidas.
Minha principal queixa não era ansiedade. Eu estava relatando uma queda, dor intensa, parestesias nos membros superiores e inferiores e formigamento que chegava até a boca. Apesar disso, tive a sensação de que meu quadro foi simplesmente atribuído à ansiedade, sem que eu recebesse explicações adequadas sobre essa conclusão.
Recebi diazepam e Dramin. Eu havia solicitado bromoprida, porém minha solicitação não foi atendida. Após receber as medicações, fiquei extremamente sedado. Tive a sensação de que, em vez de investigarem adequadamente o que estava acontecendo, simplesmente me medicaram para que eu dormisse.
O que considero ainda mais grave é que, após receber diazepam e estar sob efeito da medicação, recebi alta mesmo tendo informado que estava sozinho. Saí do hospital extremamente dopado, com tonturas intensas e ainda sentindo uma dor excruciante.
Minha condição ao sair do hospital era tão ruim que o motorista do Uber precisou me ajudar a descer do veículo. Eu estava muito tonto, sedado e com dor intensa. Em nenhum momento senti preocupação da equipe em relação à minha segurança após a administração da medicação e no momento da alta.
Com exceção de duas técnicas de enfermagem que foram respeitosas e cordiais, infelizmente tive uma experiência extremamente negativa com grande parte da equipe. Muitas vezes eu fazia perguntas e não recebia explicações ou respostas adequadas, como se eu não estivesse presente.
O que mais me entristece é que trabalho na área da saúde e atuo em pronto atendimento. Sei o quanto um paciente pode estar vulnerável, assustado e fragilizado durante um atendimento. Procuro sempre tratar meus pacientes com cordialidade, respeito, honestidade e humanidade, independentemente da gravidade do quadro. Por isso, como profissional e como paciente, a forma como fui tratado me causou uma enorme decepção.
Saí do hospital ainda com dor de cabeça e com os mesmos sintomas de formigamento. Desde então, o quadro tem piorado. O formigamento, que inicialmente estava nos membros e na região da boca, agora está se espalhando pelo rosto.
Essa foi, sem dúvida, uma das piores experiências que já tive como paciente dentro de um ambiente hospitalar. Não estou fazendo este relato para atacar gratuitamente profissionais ou a instituição, mas para relatar fielmente a experiência que tive e a forma como me senti durante o atendimento.
Um paciente não deve ser ignorado, desrespeitado ou ter suas queixas simplesmente minimizadas. Mesmo quando existe a hipótese de ansiedade, isso não elimina a obrigação de ouvir o paciente, realizar uma avaliação adequada, investigar os sintomas quando necessário e explicar, com respeito e clareza, as decisões tomadas durante o atendimento.
Espero sinceramente que esse relato seja analisado com seriedade e que a instituição reflita sobre a forma como seus pacientes estão sendo recebidos e tratados. Como profissional da saúde, acredito profundamente que competência técnica, comunicação e atendimento humanizado precisam caminhar juntos.
Também espero que sejam avaliadas as circunstâncias da minha alta após a administração de uma medicação sedativa, especialmente considerando que informei estar sozinho e que deixei o hospital apresentando tontura intensa, sedação e dor importante.
Nenhum paciente deveria sair de um serviço de saúde com a sensação de que sua dor não foi ouvida, que suas perguntas não foram respondidas e que simplesmente foi medicado e liberado sem receber o acolhimento e a atenção que esperava diante de um quadro que considerava grave.
Adeno enquanto eu sentia dor e a médica é boa parte da pior e mais mal educada equipe de enfermagem que já vi na minha vida fazia piadas riam e debatiam quem ia dormir primeiro sem o básico da empatia.
Pra finalizar ela me deu atestado pois ela não escutou eu dizer que trabalho como PJ não preciso de atestado.
E ainda me mantenho com dor e formigamento.
Reclamações parecidas
4Interações da reclamação
Santa Casa de Maringá respondeu
31/08/2026 às 08:27
Olá, Igor.
Lamentamos que sua experiência durante o atendimento na Santa Casa de Maringá tenha gerado esse sentimento de insatisfação e insegurança. Acolhemos seu relato com seriedade, especialmente os pontos relacionados à comunicação, ao acolhimento e às circunstâncias descritas durante sua permanência e alta hospitalar.
A Santa Casa de Maringá preza por uma assistência segura, ética, respeitosa e humanizada. Por isso, manifestações como a sua são importantes para que possamos avaliar nossos processos e identificar eventuais oportunidades de melhoria.
Considerando que seu relato envolve informações assistenciais, condutas clínicas, administração de medicamentos e dados pessoais de saúde, não é possível realizar uma análise ou apresentar esclarecimentos sobre o atendimento por meio de um canal público.
Orientamos que registre sua manifestação junto à Ouvidoria da Santa Casa de Maringá, canal adequado para que o caso possa ser formalmente encaminhado às áreas responsáveis e analisado de maneira individualizada, incluindo os diferentes pontos mencionados em seu relato.
Reforçamos que sua manifestação será tratada com a atenção e a seriedade necessárias.
Em relação à informação de que os sintomas permanecem e estão apresentando piora, orientamos que procure atendimento médico para uma nova avaliação.
Atenciosamente,
Santa Casa de Maringá