Cliente com deficiência visual relata maus-tratos, discriminação e descaso no atendimento em supermercado.

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Rio de Janeiro - RJ

14/07/2026 às 13:58

ID: 253888813

No dia 05/06/2026, com término de atendimento às 13:14, fui atendido por um frente de caixa que foi selecionado para me ajudar, já que sou deficiente visual. Comprei diversos produtos; o carré pedi um e depois decidi pedir mais dois, totalizando três. Depois comprei outros produtos, inclusive pedi linguiça calabresa Sadia ou Perdigão e um sabão líquido OMO. Paguei as compras e vim para casa. Ao chegar aqui, vi que dois dos três carrés estavam faltando, e o sabão também não tinha chegado. Pensei logo que tinha esquecido no Uber, mas, depois de o meu irmão analisar a nota fiscal, constatou que o valor desses produtos não tinha sido batido.
Aí então veio na minha cabeça: os produtos que eu tinha comprado nas outras vezes que tinha ido ao mercado e não chegaram aqui foram retirados por esse mesmo senhor, como o pão sírio. Quando outra pessoa me ajudava, nunca faltava nada, mas com ele sempre faltava, e justamente os produtos que ele considerava caros. Outra atitude errada era decidir por mim quando as compras deveriam acabar. Ele já ficava forçando a barra para terminar as compras, ou ficava dizendo "vamos para o caixa". Pelo que pude entender, ele estava decidindo por mim o que eu deveria ou não comprar.
Em outra ocasião, pedi 4 latões de cerveja e ele colocou 3 packs, totalizando cerca de R$ 129,00, o que me foi devolvido em um vale que utilizei posteriormente. Neste caso, ele disse que entendeu errado pode ter entendido 4 packs e colocado só 3 , mas na verdade eram só 4 latas. Como a maioria dos deficientes visuais recebe LOAS ou BPC, talvez ele tenha pensado que eu não tivesse condições de pagar pelo que estava colocando no meu carrinho. Mas sou aposentado por invalidez como técnico em eletrônica, e tenho condições suficientes de pagar qualquer coisa que coloque no meu carrinho. Sobre as linguiças Sadia ou Perdigão que tinha pedido, o cidadão decidiu trocar por umas da marca Saborosa, sem o meu consentimento e sem me avisar.
Depois de saber que os produtos não tinham chegado na minha casa, no dia 12/06/2026, fui reclamar com a gerente. Logo veio um rapaz, provavelmente outro gerente (ou ele era o gerente e ela a auxiliar, não sei ao certo). Não sei se as pessoas acham que os deficientes visuais também são surdos, mas ele disse: "Desconsidera isso, ele deve ter esquecido na van". Tive que corrigi-lo, dizendo que não esqueci em van nenhuma e que a pessoa que tinha me ajudado é que tinha retirado do carrinho os produtos que eu tinha pedido, além de ter trocado um deles por uma marca inferior, sem o meu consentimento e aproveitando-se da minha falta de visão. Eles entraram, provavelmente, em contato com a central para ver as filmagens (lembrando que não acusei ninguém de [Editado pelo Reclame Aqui], mas de ter decidido que eu não tinha condições de pagar o que estava no meu carrinho).
Como não tinha mais a nota fiscal, me baseei pelo horário do Uber que peguei (13h18). Viraram a gravação, mas me parece que cansaram ou não deram a mínima. O rapaz me pediu desculpas pela atitude da pessoa que me ajudou, dizendo: "Eu peço desculpas pelo rapaz ter tirado a água sanitária do seu carrinho. Vou conversar com ele!". Com essa frase, deu para ver que não viram a gravação completa e não prestaram atenção no que eu disse em momento algum, demonstrando um imenso desprezo pelo meu problema.
Como eu iria fazer compras logo em seguida, uma pessoa foi designada para me ajudar; essa moça trabalha em um dos caixas. Ela me disse que o rapaz que tinha me ajudado antes era novo e já estava "dando mole". Ela achou que ele tinha [Editado pelo Reclame Aqui] algo do meu carrinho, e quando eu disse que não que ele tinha tirado os produtos antes de serem registrados , aí começou o problema. Começaram os deboches e as piadinhas. Tudo o que eu pedia, ela colocava no carrinho e colocava a minha mão em cima, dizendo: "Tá aí, você está vendo". E foi assim até quase o final do percurso, onde pedi uma Mostarda Dijon e cogumelos. Ela disse que não sabia o que era, e eu mesmo peguei uma embalagem no formato da que tinha comprado em outra ocasião. Com o cogumelo, ela disse que também não sabia o que era. Quando achou,que não era nem cogumelo, era champignon (como se champignon não fosse um tipo de cogumelo) , ela disse que nunca tinha comido aquilo e nem gostava (se nunca comeu, como sabe que não gosta?). Disse também que aquilo era para pessoas ricas, que ela nem podia comprar. Tudo sempre com ar de deboche e cheia de piadinhas.
Depois de passar pelo caixa e pagar as compras, os itens foram recolocados no carrinho. Ela chamou alguém, provavelmente a gerente, e disse em bom e alto som, onde todos os caixas, funcionários e clientes puderam ouvir: "ESTÁ TUDO AÍ DENTRO DO CARRINHO DELE, VOCÊ ME ENTENDEU, NÉ!". Em momento algum acusei alguém de [Editado pelo Reclame Aqui], mas, com essa frase, ela deu aos outros a errada impressão de que foi isso o que eu fiz. Tanto que, quando voltei lá no dia 18/06/2026, nenhum funcionário quis me ajudar, ficando a moça dos cartões responsável por me auxiliar com as compras.
Mas voltando à moça que debochou de mim, que me jogou piadinhas e me expôs ao ridículo: pedi a ela que me ajudasse a pegar um Uber. Ela pediu autorização, me ajudou com as compras e a pegar o veículo, mas o dia não poderia terminar sem mais uma piadinha de mau gosto. Antes de fechar a porta do carro, ela disse: "Vê se agora você dá nota 5 pra gente!". De 0 a 100, de repente, esse tipo de atendimento valeria realmente nota 5. Mas, de 0 a 5, esse tipo de atendimento vale nota zero (término de atendimento às 15:57, ao pegar o Uber)!
O frente de caixa e a caixa que me atenderam, eu sei os nomes deles. Não sei os nomes dos gerentes, mas não achei que deveria colocar o nome de nenhum deles aqui publicamente.
Compro nesse supermercado desde 1981. Nunca fui tão maltratado em todos esses 45 anos que frequento o local. Foi uma sequência imensa de erros: capacitismo, discriminação, exposição, desrespeito, constrangimento, etc.
Alguém me ajudar no mercado não é um favor. Não dá o direito de ninguém decidir por mim o que devo e o que não devo levar, ou se posso ou não pagar o que estou levando. O supermercado, segundo a Lei n 13.146/2015 (LBI - Lei Brasileira de Inclusão), em estabelecimentos do porte do Supermercados Guanabara, tem a obrigação de disponibilizar um funcionário treinado para auxiliar deficientes. Parece que a empresa desconhece essa lei, e os funcionários também, achando que estão me fazendo um grande favor e que, por isso, eu não tenho o direito de reclamar do atendimento, seja ele qual for. Mas, na verdade, tenho o direito de ser respeitado e tratado como qualquer cliente do Guanabara é tratado.
Espero que, com esse relato, providências reais sejam tomadas e não as que os gerentes tomaram.

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Resposta da empresa

15/07/2026 às 12:06

Olá Jorge,

Lamentamos os transtornos e o desconforto causados durante suas visitas à nossa loja. Seu relato foi encaminhado para análise da gerência da filial, que realizou a apuração dos fatos junto aos funcionários envolvidos. Conforme informado pela equipe, não foram identificadas atitudes intencionais de desrespeito, discriminação ou deboche durante o atendimento prestado.

A funcionária citada relatou que já o atende em outras ocasiões e que procurou auxiliá-lo da melhor forma possível, esclarecendo que os questionamentos realizados sobre alguns produtos tinham apenas o objetivo de compreender melhor sua solicitação.

Entretanto, compreendemos que a percepção do atendimento recebido não correspondeu às suas expectativas e reconhecemos a importância de garantir que todos os nossos clientes sejam tratados com respeito, cordialidade e dignidade, especialmente aqueles que necessitam de atendimento assistido. Por esse motivo, reforçaremos as orientações junto às equipes responsáveis, visando aprimorar a qualidade do atendimento e evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.

A equipe do S.A.C. encontra-se à disposição pelo telefone 0800 7248020 e e-mail [email protected]

Atenciosamente,
Serviço de atendimento ao cliente