O que aconteceu
Reclamação sobre abordagem invasiva no restaurante Vezzoso durante jantar de aniversário de casamento
À gerência do Bourbon Atibaia e à gestão do restaurante Vezzoso,
Estive hospedado no Bourbon Atibaia de 25 a 27 de setembro de 2026, em uma viagem para comemorar meu aniversário de casamento. Esta foi a nossa 11 visita ao hotel, e somos membros do Destination Club. Começo destacando esse histórico porque esta reclamação parte de uma família que gosta do hotel, valoriza suas equipes e escolheu retornar diversas vezes pela qualidade das experiências vividas ali.
Não tenho nenhuma reclamação sobre as camareiras, os tios da recreação ou os demais setores. Pelo contrário: nossa percepção do hotel é muito positiva. Esta manifestação não pretende desmerecer o trabalho de tantos profissionais nem transformar um episódio específico em uma crítica generalizada. Justamente por conhecermos e apreciarmos o Bourbon Atibaia, a situação no Vezzoso nos causou tanto incômodo.
Ao reservarmos o restaurante, informamos que estávamos em uma viagem de aniversário de casamento. O jantar ficou marcado para sábado, 26 de setembro, às 21h. Na tarde daquele mesmo sábado, minha esposa e eu participamos de uma degustação de vinhos no hotel. Até então, tudo transcorria normalmente.
Quando chegamos ao Vezzoso, às 21h, fui recebido pelo maître, o mesmo profissional que havia apresentado a degustação de vinhos naquela tarde. Ele me parabenizou pelo aniversário de casamento e ofereceu um vinho para compra, relacionando a sugestão à ocasião especial.
Não houve problema algum na oferta. Entendo perfeitamente que apresentar vinhos faz parte do atendimento em um restaurante. O problema começou quando minha recusa não foi simplesmente respeitada.
Agradeci e respondi: Não estou bebendo.
Foi uma resposta breve porque eu não queria entrar em detalhes pessoais. Não estava pedindo uma avaliação sobre minha decisão, nem abrindo uma conversa sobre minha saúde. Estava apenas recusando, educadamente, o vinho oferecido para aquele jantar.
O maître respondeu: E o senhor não estava mais bebendo na degustação de vinhos também?
Essa pergunta me deixou desconfortável. A referência ao que eu havia feito à tarde soou como uma contestação à minha justificativa, como se eu precisasse explicar por que havia participado de uma degustação, mas não queria consumir vinho no jantar.
Mesmo que eu tivesse consumido vinho à tarde, continuaria podendo decidir não beber à noite. Poderia querer limitar a quantidade, mudar de ideia ou simplesmente não estar com vontade naquele momento. Nenhuma dessas possibilidades exigiria explicações ao restaurante. Minha recusa deveria ter sido suficiente.
Diante daquele questionamento, acabei explicando algo que não pretendia compartilhar: faço uso de uma medicação para emagrecimento e preciso ter cuidado com excessos na comida e na bebida alcoólica. Uma interação que deveria ter terminado com a recusa do vinho passou a envolver uma informação pessoal sobre meu tratamento.
O que mais me incomodou foi que, mesmo depois dessa explicação, o assunto não terminou. O maître perguntou: E qual médico você passa que receita esse tipo de medicação?
Essa segunda pergunta ultrapassou ainda mais o limite do que considero adequado em um atendimento. Eu estava em um restaurante para comemorar meu casamento com minha esposa. Não estava em uma consulta, não havia solicitado orientação sobre medicamentos e não tinha interesse em discutir quem me acompanha ou quem prescreve meu tratamento.
Não vejo relação entre acolher um cliente no jantar e perguntar qual médico lhe receita uma medicação. Essa informação não era necessária para registrar nosso pedido, oferecer uma alternativa de bebida ou prestar um atendimento cordial.
Não tenho como afirmar qual era a intenção do maître. Posso, entretanto, relatar como recebi aquela abordagem: senti minha escolha colocada em dúvida e minha privacidade invadida. O que poderia ter sido uma conversa simples se transformou, para mim, em uma sequência de questionamentos constrangedores.
Há uma diferença muito importante entre demonstrar atenção ao hóspede e avançar sobre assuntos que ele não escolheu compartilhar. Lembrar que eu havia participado de uma atividade do hotel poderia ser uma gentileza em outro contexto. Usar essa lembrança para questionar minha recusa ao vinho produziu o efeito contrário.
O episódio comprometeu o clima da comemoração. Minha esposa e eu jantamos com a sensação de que não deveríamos estar ali, a menos que fôssemos comprar uma garrafa de vinho. Não era essa a experiência que esperávamos ao reservar um jantar de aniversário de casamento.
Esclareço que não estou afirmando que exista uma regra do hotel condicionando o atendimento à compra de vinho. Estou descrevendo a impressão deixada pela abordagem. Essa distinção é importante, mas não diminui o desconforto que sentimos.
Se a expectativa fosse que o cliente só deveria frequentar o Vezzoso quando pretendesse comprar uma garrafa de vinho, isso precisaria estar claro antes da reserva. Se a orientação fosse só vá se for comprar uma garrafa de vinho, eu jamais teria escolhido o restaurante para aquela ocasião.
O que esperamos, naturalmente, é o oposto: poder escolher o que consumir e receber um atendimento igualmente cordial, independentemente de aceitar ou recusar uma oferta adicional. A hospitalidade não deveria depender da compra de uma bebida.
Um jantar especial envolve mais do que o prato servido. Envolve a recepção, o ambiente e a liberdade de aproveitar a companhia da família sem precisar justificar escolhas pessoais. Naquela noite, tivemos de lidar com um constrangimento que não precisava ter existido.
Em onze visitas ao Bourbon Atibaia, nunca havia passado por algo assim em outro setor. Nossa fidelidade ao hotel não significa que esperamos privilégios. Respeito à privacidade e a uma recusa educada é algo que qualquer hóspede deve receber, seja na primeira ou na décima primeira visita.
Hoje, em razão dessa experiência, não tenho mais interesse em voltar ao Vezzoso com minha família. É lamentável chegar a essa conclusão dentro de um hotel de que gostamos tanto, mas é importante que a gestão compreenda o impacto real de uma abordagem inadequada.
Peço que este relato seja analisado pela gerência do Bourbon Atibaia e pela gestão do restaurante. A data, o horário e a identificação do profissional como o maître que apresentou a degustação daquela tarde são informações para auxiliar a apuração do episódio.
Espero que o profissional seja ouvido e receba orientação sobre os limites de uma abordagem comercial, o respeito à recusa do cliente e o cuidado com perguntas pessoais. Não se trata de impedir conversas cordiais, mas de reconhecer quando uma pessoa não deseja prolongar determinado assunto.
Solicito também um retorno específico sobre o ocorrido, com um pedido de desculpas pelo constrangimento e esclarecimentos sobre as providências adotadas para evitar situações semelhantes. Uma resposta genérica sobre satisfação dos hóspedes não enfrentaria a questão central deste relato.
A pergunta que deixo é objetiva: por que uma recusa educada à oferta de vinho resultou em questionamentos sobre meu consumo anterior, minha medicação e o médico que me acompanha?
Continuo reconhecendo tudo de positivo que o Bourbon Atibaia oferece à nossa família. É justamente por valorizar essa relação que considero necessário registrar uma situação tão diferente do acolhimento que encontramos habitualmente no hotel.
Queríamos apenas comemorar nosso casamento, escolher o que consumir e aproveitar o jantar em paz. Não esperávamos ter de explicar uma decisão pessoal ou falar sobre um tratamento para que uma oferta de vinho fosse encerrada.
A oferta de um vinho era bem-vinda. O questionamento da minha recusa e da minha vida médica, não. O atendimento cordial precisa respeitar esse limite.
Reclamações parecidas
4Interações da reclamação
Bourbon Atibaia Resort respondeu
03/10/2026 às 10:14
Prezado Sr. Isaias.
Primeiramente peço sinceras desculpas pelos fatos narrados.
Agradecemos por dedicar seu tempo a registrar este relato com tanta clareza e por reconhecer o carinho que construiu com o Bourbon Atibaia a longa data. Ter você e sua família como membros do BDC é motivo de orgulho para nós.
Lamentamos sinceramente o constrangimento vivido durante o seu jantar de aniversário de casamento. Após apuração interna, entendemos que, de fato, o colaborador não é a forma como esperamos que seja feita na trataiva com todos nosssos hospedes que inclusive pontuam como um dos pontos fortes o carinho e a discrição nestas conduções. Uma recusa educada deve ser sempre respeitada, e perguntas de caráter pessoal não fazem parte do atendimento que desejamos oferecer.
Já realizamos o feedback adequado com o profissional, onde adotamos as medidas necessárias e proporcionais alem de reforçamos as orientações da equipe, para que situações como esta não voltem a ocorrer.
Mais uma vez agradecemos pelo feedbackde oportunidade de melhoria.
E já os aguardamos em sua próxima visita onde poderá perceber a melhoria nesta condução.
Atenciosamente,
Fabio Kazuo
Diretor Geral