Não resolvido

Falha na acessibilidade do Rock in Rio: pulseira incorreta, despreparo de funcionários e banheiros inadequados

ROCK WORLD

cidade: Curitiba

O que aconteceu

Falha grave em acessibilidade: despreparo de funcionários, pulseira incorreta, sinalização deficiente e banheiros inadequados no Rock in Rio

Fui ao Rock in Rio no dia 07/09/2026, chegando ao evento um pouco antes das 15h. Como possuo fibromialgia (condição informada previamente via pré-cadastro, com todos os meus dados enviados e validados pela organização), passei pela Central de Acessibilidade para realizar a retirada da minha pulseira.

No mês passado, recebi um e-mail oficial da Rock World confirmando o meu direito ao benefício: "Importante: você está apto a receber a pulseira que possibilita o acesso às plataformas de visibilidade. O acesso às plataformas está sujeito à disponibilidade de vagas e aos regulamentos de utilização."

Após ficar 30 minutos na fila da Central de Acessibilidade, que me fez perder parte do show da Vanessa da Mata, retirei a pulseira fornecida pela equipe. Aproveitei o evento indo de um palco a outro em shows com menor público. No entanto, logo antes de começar o show do Jon Batiste, me dirigi à plataforma de visibilidade B do Palco Mundo para conseguir assistir aos shows principais sentada, visto que a minha condição de saúde exige descanso e a aglomeração dificulta a permanência em pé por longos períodos.

Para minha surpresa e constrangimento, o segurança responsável pela plataforma informou que eu não tinha direito de acesso com a pulseira que estava usando, alegando que ela seria apenas para pessoas com mobilidade reduzida. Diante da negativa e para evitar maiores transtornos, não insisti na hora. Voltar até a Central de Acessibilidade exigiria caminhar uma longa distância, me afastar dos palcos e perder os shows algo inviável para o meu quadro de saúde. Devido a essa falha, precisei me sentar no chão molhado para conseguir descansar e acabei assistindo aos shows de locais muito piores e sem visibilidade adequada. Posteriormente, ao navegar pelas redes sociais, verifiquei relatos de outras pessoas com o mesmo laudo médico que conseguiram acessar a plataforma normalmente. Fica evidente que a equipe da Central de Acessibilidade me entregou a pulseira incorreta, mesmo tendo em mãos todo o meu cadastro e laudo previamente.

Possuo o e-mail de confirmação enviado pela organização, registros fotográficos geolocalizados com a pulseira PCD na Cidade do Rock no dia 07/09/2026, além de mensagens trocadas em tempo real com familiares relatando o ocorrido.

Além desse episódio gravíssimo, toda a experiência foi marcada pelo absoluto despreparo e falta de treinamento dos funcionários em diferentes setores do festival:

1. Despreparo no atendimento e sinalização: Durante todo o evento, as filas preferenciais nunca estavam sinalizadas ou indicadas. Eu precisava abordar funcionários de estandes de ativações e de alimentação para perguntar onde ficavam, e era nítido o desconhecimento: um ficava perguntando para o outro, sem saber dar uma informação básica. Isso gera desgaste e constrangimento desnecessários.

2. Entrada do evento ineficiente: A fila preferencial de entrada contava com apenas um guichê, que ainda era dividido com a entrada do Clube Rock in Rio. O resultado prático foi que outras filas comuns andavam muito mais rápido do que a preferencial, penalizando quem precisa de atendimento prioritário.

3. Desorganização e falta de orientação nos banheiros acessíveis: A situação dos banheiros foi um absurdo. Enquanto havia mais de 30 cabines para o banheiro feminino comum, os banheiros acessíveis contavam com apenas duas cabines compartilhadas por pessoas com diferentes tipos de deficiência. Cadeirantes e outras pessoas que efetivamente dependem de uma estrutura adaptada ficam sujeitos a filas enormes e desumanas, sem alternativas viáveis. Quando questionei uma funcionária se havia uma fila preferencial para o banheiro feminino destinada a deficiências que não utilizam as adaptações do banheiro preferncial, ela não soube me responder e disse apenas que "achava" que era para entrar na fila do banheiro preferencial. Acabei tendo que entrar na fila do banheiro preferencial enquanto meu namorado entrou na fila do banheiro feminino para mim sendo que a fila comum acabou andando muito mais rápido.

Estou extremamente chateada com a situação. Para um festival que se promove como inclusivo e acessível, a realidade encontrada foi o oposto. O evento falha de ponta a ponta por entregar pulseiras erradas, estruturar mal os espaços e, principalmente, por colocar equipes totalmente destreinadas e perdidas para atender o público, comprometendo completamente a minha experiência e gerando constrangimentos e desgaste físico desnecessários. Deixo aqui o meu registro para que a organização tome providências urgentes no treinamento de funcionários, sinalização de espaços, redimensionamento de estruturas e respeito aos direitos das pessoas com deficiência e condições crônicas.

Reclamações parecidas

4

Interações da reclamação

  1. Reclamação encerrada e avaliada pelo consumidor

    Avaliação do consumidor

    Problema foi resolvido?Não
    Voltaria a fazer negócio?Não
    Nota do atendimento0

    Nada foi resolvido

  2. Resposta final da empresa

    23/09/2026 às 11:29

    Oi, Fernanda!

    Lamentamos que sua experiência no Rock in Rio não tenha sido satisfatória e agradecemos por compartilhar seu relato.

    Esclarecemos que o Regulamento de Acessibilidade do Rock in Rio 2026 previu diferentes serviços e estruturas de acessibilidade, disponibilizados de acordo com a condição e necessidade de cada pessoa, mediante avaliação da equipe responsável e observados os critérios específicos de cada serviço.

    Em relação às plataformas de visibilidade, o Regulamento estabeleceu critérios próprios de elegibilidade e previu a utilização de pulseira específica para acesso a esses espaços. No Palco Mundo, as plataformas foram destinadas a públicos distintos, sendo a Plataforma B voltada às pessoas com mobilidade reduzida que se enquadrassem nos critérios estabelecidos no Regulamento, mediante avaliação da equipe de acessibilidade.

    O acesso às plataformas também esteve sujeito à capacidade máxima do espaço, disponibilidade e ordem de chegada, não sendo a pulseira geral de acessibilidade, por si só, suficiente para garantir o ingresso nessas estruturas.

    Quanto ao seu relato específico sobre o pré-cadastro realizado e a pulseira recebida na Central de Acessibilidade, as informações apresentadas serão direcionadas à equipe responsável para verificação.

    Registramos também suas considerações sobre atendimento, sinalização, filas preferenciais e banheiros, que serão consideradas na avaliação da operação e no aprimoramento contínuo das medidas de acessibilidade do festival.

    Atenciosamente,

    Rock World.