O que aconteceu
Esta não é uma reclamação de consumo. Sou vizinha de uma grande obra da Goya, em fase de conclusão na cidade de Carapicuíba, e escrevo este relato porque cheguei a um ponto em que não consigo mais tratar como situações isoladas tudo o que venho enfrentando há aproximadamente dois anos.
É profundamente triste precisar chegar a este nível de exposição para tentar chamar a atenção de uma empresa. Sempre vivi na minha casa, cuidei da minha rotina, preservei meu espaço e exerci minha privacidade sem qualquer tipo de problema. Minha casa sempre foi o lugar onde eu deveria encontrar descanso, segurança e tranquilidade. Hoje, infelizmente, é justamente esse espaço que se tornou fonte de preocupação, desgaste e sofrimento.
Há aproximadamente dois anos, minha vida mudou de uma maneira que eu jamais poderia imaginar. Minha rotina, meu sossego, minha privacidade e a tranquilidade de estar dentro da minha própria casa foram comprometidos por uma sucessão de problemas relacionados à obra vizinha.
E não estou falando apenas de barulho, algo que, isoladamente, poderia ser compreendido como parte temporária de uma construção. Estou falando de uma série de ocorrências que, somadas e prolongadas ao longo de tanto tempo, passaram a interferir diretamente na minha qualidade de vida, na minha casa, no meu trabalho e na minha paz.
Nesse período, enfrentei barulho excessivo e recorrente, trepidação das paredes e da estrutura da casa, fragmentos de alvenaria e outros detritos espalhados pelo quintal e pelo telhado, desprendimento de materiais provenientes da obra, bitucas de cigarro lançadas na minha propriedade e situações que comprometeram até mesmo a privacidade que deveria ter dentro do meu próprio lar.
Também passei a conviver com rachaduras, telhas quebradas e objetos danificados dentro de casa em meio aos episódios de trepidação. Em uma das consequências mais graves dessa situação, a quebra de telhas contribuiu para a entrada de água da chuva e a inundação da minha residência. É difícil traduzir em palavras a sensação de ver a própria casa, que deveria ser um lugar seguro, exposta a danos e problemas que não existiam dessa forma antes de toda essa situação.
Além dos prejuízos materiais, existe um desgaste cotidiano que nem sempre é visível para quem está do outro lado. É a impossibilidade de organizar o próprio dia sem considerar o barulho. É tentar trabalhar enquanto a casa trepida. É precisar mudar a estação de trabalho dentro da própria residência para tentar encontrar condições minimamente adequadas de concentração. É interromper atividades, reorganizar compromissos e perder tempo útil tentando resolver problemas que não deveriam ter sido transferidos para a rotina de quem simplesmente mora ao lado.
O que deveria ser um dia comum passou a exigir adaptações constantes. O que deveria ser descanso passou a ser preocupação. O que deveria ser privacidade passou a ser a sensação de estar permanentemente exposta à movimentação de uma obra vizinha.
Não se trata de querer controlar o trabalho alheio, mas de esperar que uma atividade empresarial dessa dimensão seja conduzida com o mínimo de organização, respeito e consideração por quem vive ao redor.
E é justamente isso que mais me entristece: a impressão de que, ao longo desses dois anos, o custo da construção não ficou restrito à empresa responsável pelo empreendimento. Parte desse custo foi transferida para mim, para minha casa, para meu tempo, para minha rotina e para minha tranquilidade.
Uma obra tem começo, meio e fim. A vida de quem mora ao lado, entretanto, não pode ficar suspensa durante todo esse período. Não é razoável que uma pessoa precise adaptar continuamente a própria rotina, conviver com danos e sujeira, preocupar-se com a integridade da sua residência e gastar tempo tentando resolver problemas que não provocou.
Não sou responsável pela obra. Não participo de suas decisões, não controlo seu planejamento e não tenho qualquer ingerência sobre a maneira como os serviços são executados. Sou apenas uma moradora que deseja viver em sua própria casa com segurança, respeito e tranquilidade.
E, depois de aproximadamente dois anos, confesso que estou profundamente triste por precisar escrever este relato. Triste porque nunca imaginei que uma situação dessa natureza se prolongaria a ponto de comprometer tanto a minha vida. Triste porque gostaria que tudo tivesse sido conduzido de outra maneira, com planejamento, prevenção de danos, respeito à vizinhança e, sobretudo, responsabilidade diante das consequências que uma obra desse porte pode produzir para quem está ao redor.
Não gostaria de precisar recorrer a uma plataforma pública para tentar ser ouvida. Gostaria que os problemas fossem tratados com a seriedade necessária, que os danos fossem devidamente apurados e que as medidas para impedir novas ocorrências fossem efetivamente adotadas.
É por isso que faço esta manifestação. Não para criar um conflito, mas porque não considero aceitável que toda essa situação seja tratada como um conjunto de pequenos inconvenientes, quando, para quem a vive diariamente, representa dois anos de desgaste acumulado e de perda de qualidade de vida.
Espero que esta reclamação chegue às pessoas responsáveis pela condução do empreendimento e, principalmente, a quem tenha autonomia para avaliar o histórico dos acontecimentos e determinar as providências necessárias.
Não espero privilégios. Espero responsabilidade. Não espero que uma obra deixe de existir. Espero que ela seja conduzida sem que os moradores vizinhos tenham de suportar, por tanto tempo, consequências que não lhes cabem.
Quero uma solução efetiva, não apenas uma resposta protocolar. Quero que os problemas sejam avaliados, que os danos à minha residência sejam devidamente apurados, que as medidas preventivas necessárias sejam adotadas e que exista uma interlocução responsável para tratar de tudo o que aconteceu ao longo desses dois anos.
Minha casa continua sendo meu lar. Minha vida e minha rotina não podem continuar sendo tratadas como danos colaterais de uma construção.
Depois de tudo o que vivi até aqui, o mínimo que espero da Goya é que olhe para esta situação com a seriedade, a sensibilidade e a responsabilidade que ela exige.
Hoje, uma empresa do porte da Goya, prestes a inaugurar um empreendimento dessa dimensão, deveria representar motivo de satisfação para a vizinhança, um sinal de desenvolvimento, geração de oportunidades e prosperidade para a região. Seria natural que a conclusão de uma obra assim fosse recebida com alegria, como a concretização de um projeto importante. Infelizmente, para mim, a realidade foi completamente diferente. O que deveria ser motivo de orgulho e celebração transformou-se em um dos períodos mais difíceis e desgastantes da minha vida, um verdadeiro pesadelo que já dura aproximadamente dois anos e que deixou marcas na minha casa, na minha rotina e na minha tranquilidade. É profundamente triste olhar para um empreendimento prestes a ser inaugurado e, em vez de compartilhar da expectativa por esse momento, sentir apenas o peso de tudo o que precisei suportar para que ele chegasse até aqui. Eu gostaria sinceramente de poder olhar para essa inauguração com outros sentimentos. Gostaria que essa história tivesse sido diferente. Mas, para que isso fosse possível, teria sido necessário que, ao longo desse caminho, a preocupação com quem vive ao lado da obra também tivesse feito parte do projeto. Afinal, a prosperidade de uma empresa não deveria ser construída à custa da tranquilidade de quem está ao seu redor.